segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Permitir Errar




Éramos duas canecas de chá sobre a mesa. Uma ao lado da outra e à esquerda do que seria nosso motivo para enlouquecer juntos. Naquele nosso plano de nos enfiar nas melhores coisas do mundo. Era tudo o que precisávamos.


- Teu erro é querer mais que dois abraços.
- Meu erro sempre foi me permitir errar.


Usei rendas, alças, lábios, pintas.

Você não me tira o Blues que eu tenho entre os seios. Não tem força nenhuma capaz de arrancar meu passado. Não pode remover minhas expectativas.


Na terceira palavra forte ele se jogou do 1ª degrau da escada. Inventou uma morte pequena, um buraco raso para se jogar. Fingiu distância, ensaiou alguma tristeza. Covardemente planejou sozinho.
E deu tudo errado.


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Gabriele Fidalgo

5 comentários:

  1. Alguns erros insistem em me olhar em certas tardes ou noites, eu finjo que não os vejo, ja me joguei e sei aonde doi.


    Fecho os olhos e respiro em "paz".

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  2. Me pergunto as vezes porque o medo é como a dor ,dificil recordar sua intensidade quando acaba...Talvez seja por que só assim mergulhamos de novo,de cara em um novo desconhecido...

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  3. "Você não me tira o Blues que eu tenho entre os seios" + "se jogou do 1ª degrau da escada. Inventou uma morte pequena".

    Maravilhoso.
    seus textos são ótimos, tem um apegada jovial.
    vou continuar lendo.
    bjs

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